quarta-feira, 29 de julho de 2015

Quadrinho - Thor, God of Thunder - pt1

Confesso não ser o maior fã de super heróis e toda essa fantasia que gira em torno deles. Porém existem alguns que conseguem me chamar a atenção. Thor é um desses. Talvez por ser uma representação de um deus nórdico que faz parte de uma das mitologias mais interessantes por aí (além de envolver toda a cultura viking, que eu acho muito legal). Mas na série "God of Thunder", Thor não é um super herói que visa acabar com um super vilão que ameaça a Terra ou outro clichê. Aqui temos um Thor exercendo literalmente seu papel de deus! A resenha abaixo é sobre os dois primeiros volumes encadernados, que englobam as edições 1-11.


A série foi lançada em 2012, contendo 25 edições e compilada em 4 edições encadernadas (ou de capa dura) e 2 em versão de luxo. O roteiro é de Jason Aaron e a arte ficou nas mãos de Esad Ribic e Butch Guice.


Logo de cara é possível notar que a arte de Ribic nas capas é excepcional. Seu estilo realista dá um toque mais sério à obra, e transmite a ideia de que Thor não é apenas um Super Herói. Aqui ele não está presente como um membro dos Vingadores ou lutando contra vilões clássicos. Aqui Thor é Thor, o Deus do Trovão, e a história gira em torno dele em três versões diferentes: Um Thor jovem e ainda indigno de empunhar Mjölnir; Thor, um membro dos Vingadores e herói que luta pela justiça e toda essa coisa toda. E, para finalizar, temos um Thor do futuro, quando toda Asgard foi dizimada e apenas uma versão velha do deus do trovão se encontra sentado e cansado em seu trono, lembrando muito a aparência de seu pai, Odin.

A história começa no passado, mostrando sua versão jovem comemorando a vitória em batalha junto de seus fieis vikings. A festa é interrompida quando encontram a cabeça de um homem boiando no rio e Thor descobre que na verdade não se trata de um homem, e sim um deus... De volta ao presente, Thor atende o chamado de um mortal que clama por ele. Ao atender suas preces, ele descobre que os deuses desse planeta não estão mais ouvindo as preces de seus fieis, que clamam por chuva e melhoras no tempo para poderem sobreviver. Thor resolve investigar e descobre que o panteão desse planeta encontra-se vazio. Ou melhor, os deuses, então ausentes, são encontrados, porém todos foram massacrados e torturados.


Logo aqui já podemos ver uma mudança no padrão em que Thor é representado. Ele ouve a prece de uma pessoa e percebe que seu pedido merece ser atendido. Ele age como um deus e conquista a fé das pessoas. Já em sua versão mais jovem, ele está ao lado de seus fieis e lutando ao seu lado. Apesar de ser um Vingador, ele não se esquece de sua verdadeira natureza. E foi exatamente essa premissa que me chamou a atenção. 

Após encontrar os deuses mortos desse planeta, Thor se recorda de um antigo inimigo com quem lutou no passado e que mantinha essa fixação por destruir os deuses. "Gorr está vivo?" ele se pergunta. Gorr aqui é o vilão desse arco, que não apresenta ameaça a ninguém, a não ser os próprios deuses! Por ter enfrentado ele no passado, e quase ter morrido nessa, Thor então vai atrás de informações sobre desaparecimento de deuses em planetas e galáxias por todo o universo.

Durante toda a narrativa o foco da história muda de tempo, indo para o passado mostrando como o jovem deus lutou com Gorr, voltando para o presente em que ele está investigando os desaparecimentos dos deuses, e no futuro onde Thor enfrenta infinitamente o exército de criaturas de sombra criadas por Gorr, que sempre o derrota mas nunca o mata, colocando-o de volta inconsciente em seu trono e começando a luta novamente outro dia.

O que é legal nessa história: Não temos um super herói, e sim um Deus. Vemos a evolução desse deus, começando de quando era irresponsável e briguento, para um deus que se tornou herói de diversos mundos e finalizando como um deus velho e ressentido, que pede apenas pela morte e descanso em Valhalla.

Gorr não é um vilão qualquer, pois ele possui o poder de matar outros deuses. A partir do segundo volume nos é contado a história de seu passado, como sua origem e de onde ele tirou tanto poder. A forma como a história é contada faz com que você entenda os motivos de Gorr, apesar de que sua vingança contra os deuses pode causar muita destruição no caminho. 

As coisas esquentam bastante quando Gorr aparece e resolve enfrentar a versão atual de Thor, que o atrai para um portal feito do sangue de outros deuses e que o leva para o futuro. É assim então que o presente e futuro se chocam, botando as duas versões do deus de frente com a outra. No decorrer da história a versão do passado também é tragada para o conflito no futuro, e então as três versões de Thor se unem para lutar contra Gorr e impedir seus planos, que nada mais são do que destruir todos os deuses em todas as época e multiversos!

Alguns aliados auxiliam Thor durante a empreitada. Como o Homem de Ferro, três deusas que foram escravizadas (e mais tarde descobrem terem um vínculo com o deus do trovão), além de deuses sobreviventes e outras divindades cósmicas. Não tenho muito conhecimento desses universos, mas acredito que muitos desses personagens já apareceram em outras histórias, e que fãs antigos vão reconhecer.

Esses dois primeiros encadernados são fantásticos e esse arco se tornou o meu favorito quando se trata de um super herói. A arte é belíssima e o enredo é muito interessante. Ainda não li as duas outras partes da série, mas estou interessado nelas principalmente pelo fato de que servem como gancho para a nova versão do deus do trovão que foi criada recentemente, onde Thor na verdade é uma mulher! Mas não o mesmo personagem, e sim uma nova herdeira de seus poderes e do lendário martelo Mjolnir! 

A série também está sendo lançada no Brasil pela Panini, porém como parte de um compilado de histórias da marvel na revista "Os Vingadores - Os Heróis Mais Podermosos da Terra" e anteriormente na série "Homem de Ferro & Thor". Eu decidi por pegar as versões em inglês, já que as nacionais já estão fora de catálogo. Mas tive a infelicidade de pegar o primeiro volume em versão encadernada e o segundo em capa dura... Mas tudo bem, o que importa é o conteúdo, que é de primeira! 

domingo, 12 de julho de 2015

Últimas Compras II - Anime Friends 2015

Ufa... Hoje foi bastante cansativo! Eu e minha namorada fomos à Anime Friends deste ano para dar uma olhada nas estandes de quadrinhos, mangás e jogos de tabuleiro, com a ideia de gastarmos pouco e pesquisar sobre algumas novidades e tentar encontrar umas raridades perdidas para completarmos nossas coleções... Só que nem sempre a gente consegue se segurar, né? E, como das outras vezes que fomos à convenções do gênero, acabamos fazendo um "estrago".


Este ano resolvi focar mais em quadrinhos. As séries em mangá que estou acompanhando ainda não tiveram volumes novos lançados, apesar de ter três volumes de Hikaru No Go aí. Também queríamos ver as novidades da Galápagos Jogos, para comprar algumas expansões dos jogos que já possuímos. E dessa vez conseguimos atualizar dois deles: A Guerra dos Tronos (card game) e O Senhor dos Aneis (card game). Em GoT, a Galápagos estava fazendo uma promoção das primeiras seis expansões juntas que logo logo sairão de circulação. Então aproveitamos já para adquirir as novas cartas de cada casa, além de pegar as expansões dos Martell e Greyjoy. Já no Senhor dos Anéis, nós pegamos a expansão do Hobbit, que minha namorada está atualmente viciada.


Já na parte de quadrinhos, consegui encontrar as seguintes obras:

Opera Adaptations Vol. 2 - By P. Craig Russell

Talvez o meu melhor achado por lá. Já não é de hoje que eu menciono Russell em meus posts e essa obra faz parte de uma coletânea de suas adaptações de óperas clássicas que ele lançou durante sua carreira. Esta edição foi realmente um achado, pois a encontrei na estande de Quadrinhos e Jogos usados. Tinham duas versões diferentes, uma em capa dura e outra encadernada. Tive que pegar a de capa dura, pois além do papel estar em melhor qualidade e condição, o preço não era tão diferente assim. Estou ansioso para começar a ler!




Pathfinder - An American Saga

Este foi outro volume que achei na loja de quadrinhos usados. Ouvi falar pouco dessa obra, mas sei que foi usada como base para o filme de mesmo nome (e no Brasil traduzido para "Conquistadores") em 2007. Eu cheguei a ver o filme e achei a temática sensacional, apesar de ter achado a história meio sem sal. Aqui temos vikings na América do Norte. Sim, os caras que conquistaram a Europa também passaram por aqui nas Américas e esse quadrinho trata exatamente disso. Ainda não li, mas verei de fazer um post sobre o quadrinho em seguida. Ah, custou só R$10,00! E tá novinho :D




Preacher - A Caminho do Texas 

Outro incrível achado! E dessa vez foi muita sorte mesmo, pois além dessa edição já estar fora de circulação, as poucas que restaram no mercado estão com o preço altíssimo! Estamos falando de três vezes ou mais o valor de capa, que já é caro! Estava dando uma olhada nos quadrinhos da estande Mundohq e ao olhar em alguns quadrinhos da Vertigo, encontrei essa maravilha por um preço abaixo do de capa. Não preciso falar muito da história pois Preacher é um clássico de Garth Ennis, mas aqui temos o primeiro volume da história de Jesse Custer e como ele adquire seu poder da "Voz de Deus". Eu já possuia os volumes 2 e 3, mas agora já posso acompanhar sua história desde o início!



Ex Machina - Vol 1 - Estado de Emergência

Ok, esse aqui eu não tenho muito o que dizer, pois não conheço a história nem os personagens, apenas o autor; Brian K. Vaughan. Estou a um tempo caçando a versão que ele fez de "O Monstro do Pântano" e sempre ouvi falar de suas outras obras, sendo essa Ex Machina e Saga as mais comentadas. Então não pude deixar de adquirir o primeiro volume da série que estava com o preço de capa.






Classics Illustrated - Hamlet

Esse eu não esperava achar. Não que eu estivesse procurando, mas achei tão legal o traço (e o preço) que não pude evitar de levar. Essa é uma revista antiga, com o preço ainda em cruzeiros e não sei dizer quais outros volumes essa série possui (esse é o segundo). O traço é fantástico e com bastantes falas, afinal é uma obra clássica de Shakespeare. Como não conheço muito bem Hamlet (apesar de ter até a versão em mangá, que ainda não li), resolvi comprar para conhecer. Se eu achar legal, vou atrás dos outros volumes da série.






A Saga do Monstro do Pântano - Livro Dois
Mais um volume para a coleção de Alan Moore. Já possuo o primeiro livro dessa série, que ainda não terminei de ler, mas aproveitei para pegar esse aqui pois já estou finalizando o primeiro e notei que a série está ficando cada vez mais difícil de encontrar. Então não quis arriscar ficar sem e peguei logo essa edição. Aos poucos vou me familiarizando com as obras de Moore e quero terminar logo essa parte para conhecer a versão de Brian K. Vaughan.






Fábulas 14 e 15

Talvez a minha série em quadrinhos favorita atualmente. Quando comecei a ler Fábulas fiquei viciado desde o início e tive que me conter para não comprar tudo de uma vez só. Então estou voltando aos poucos, com estes dois volumes antes de completar as edições já lançadas no Brasil. Ainda me faltam alguns, mas assim que terminar estes eu procuro o restante. Ah, e ainda tem os spin-offs que estão sendo lançados, como Cinderela, As Mais Belas Fábulas e a já concluída, João das Fábulas.




Hikaru No Go - Volumes 1, 2 e 3

Aproveitei o desconto da Hikikuro e peguei os primeiros volumes dessa série. Hikaru no Go me remete à minha infância, em que eu era doido para ler mangás novos numa época em que fansubs e sites de mangás eram novidade. Além de ser uma obra de Takeshi Obata (Death Note, Bakuman), que eu sou fã e acompanho todas as suas criações. Talvez uma aquisição mais nostálgica, já que no momento estou focando em quadrinhos, mas sempre quis acompanhar essa série desde o inicio. Espero poder encontrar o restante da série no futuro.


Coffin Hill - Floresta da Noite

O último quadrinho do dia e também um lançamento. Não conheço a história mas me interessei quando foi anunciada. Basicamente é uma nova série de horror e mistério da Vertigo, mais que o suficiente para chamar minha atenção. Como se trata de um lançamento, não tenho muitas informações. Vou ler assim que possível para fazer uma análise aqui no blog. 







sábado, 11 de julho de 2015

Quadrinho - Cavaleiro Da Lua - Recomeço

Confesso não ser nenhum super fã e conhecedor dos heróis da Marvel. Até pouco tempo atrás eu nem me interessava por essa parte dos quadrinhos, pois meu gosto era mais virado para a Vertigo. Mas aqui o que me chamou a atenção foi a premissa do personagem: Um cara cheio da grana que herda os poderes de um deus egípcio e se torna um herói no melhor estilo batman e combate o crime. Até aí, nada de excepcional. Mas tem um detalhe: Ele possui diversas personalidades!


Pois foi exatamente isso que me fez adquirir esses dois volumes do Cavaleiro da Lua. Sem nenhum conhecimento prévio da série, quis arriscar com essa minissérie de dois volumes para ver se eu me interessaria pela história. E não é que é legal mesmo?

Nesses dois volumes, que reúnem as edições Moon Knight 1~12 de 2011/12, é contada a história de Marc Spector como um ricaço que está produzindo uma série de tv baseada em sua história e seus poderes. Enquanto isso, uma onda de crimes assola Los Angeles, que até então estava tranquila devido ao movimento dos Vingadores pelo país. É então que três vingadores resolvem entrar em contato com Spector, já que este também faz parte do grupo de heróis: Homem Aranha, Capitão América e Wolverine.

É a partir daí que ele começa suas investigações, utilizando algumas armas bastantes conhecidas (como pode ser visto na capa da primeira edição): As teias do Homem-Aranha, o escudo do Capitão América e as garras de adamantium de Wolverine. Cada uma delas é uma réplica muito bem feita e usadas contra os vilões que o Cavaleiro enfrenta. No decorrer da trama ele descobre que um grupo de bandidos estavam na verdade negociando nada menos que um crânio de um Ultron, o que chama bastante a atenção dos heróis.

Quando ele precisa agir, os três vingadores são quem o aconselham. Afinal, eles estão todos dentro de sua cabeça! Cada um deles é como se fossem partes de sua mente ou personalidade: Capitão América sendo seu senso de justiça e dever; Homem-Aranha como sua força de vontade e agilidade, além de ser o responsável pelo humor do quadrinho; e Logan, o Wolverine, é seu lado mais agressivo e violento, que não gosta de esperar para conversar e já parte pra porrada. Cada um deles apresenta suas opiniões e vontades sobre algum assunto, o que acaba influenciando as decisões de Spector e o resultado dos conflitos.

Gostei bastante de conhecer esse personagem. Se um herói já não tem trabalho o suficiente pra lidar com sua consciência, o que diria quando ele possui três ou mais? É essa interação com suas diferentes personalidades que fazem com que esse herói se destaque dos outros. A história se torna mais complexa e não dá pra prever o que vai acontecer. pois não sabemos quais das personalidades que vai agir primeiro ou da maneira mais correta.

Espero que a Panini lance mais encadernados do Cavaleiro da Lua. Gostei de ser surpreendido por um herói que eu nem imaginava que existia ou que fosse gostar. Então fico no aguardo de mais novidades sobre Marc Spector no futuro!




Quadrinho - The Graveyard Book

Esta é mais uma adaptação de P. Craig Russell de mais uma obra de Neil Gaiman. Digo "mais uma" pois a dupla já trabalharam juntos algumas outras vezes, como em "Coraline", "Elric - Stormbringer", "Sandman - Os Caçadores de Sonhos", etc. E aqui temos a adaptação do livro infanto-juvenil, "The Graveyard Book", ou conhecido também como "O Livro do Cemitério", em português.


A versão em quadrinhos foi lançada em 2014, sendo que o livro saiu em 2008. E aqui temos não apenas Russell, mas também outros artistas como Kevin Nowlan, Galen Showman, Jill Thompson, Tony Harris, Scott Hampton, Stephen B. Scott e David Lafuente. Sim! Toda essa galera ajudou Russell nas ilustrações durante toda a história. Alguns traços são mais marcantes e distintos, porém todos tentam mostrar de forma mais realista a obra de Gaiman.

Aqui temos uma história de mistério em que uma família é assassinada por um homem desconhecido. Ele invade a casa e corta a garganta de cada um, pai, mãe e filha. Ao se dirigir para sua última vítima, um bebê, ele descobre que o berço está vazio. A criança não foi escondida ou algo assim. Este bebê na verdade sempre foi de andar e fugir de seu berço, porém dessa vez ele teve a bendita sorte de sair e evitar que o assassino de sua família o encontrasse. E sua sorte só aumenta quando ele chega em um cemitério antigo e abandonado. 

Como estamos falando de Neil Gaiman, sabemos que algo de sobrenatural vai aparecer, e é isso que acontece, pois o bebê é adotado por um casal de fantasmas que nunca tiveram a chance de ter um filho enquanto vivos, então percebem que este bebê precisaria de ajuda quando os fantasmas dos seus pais recém-assassinados aparecem e pedem por ajuda. Porém seu perseguidor ainda está atrás dele e está prestes a se deparar com ele quando o responsável pelo cemitério, Silas, um alto e pálido vampiro convence o homem a se retirar e que não há bebê nenhum no cemitério.


É então que o destino de Nobody Owens é selado. Sim, este é o nome que o casal de fantasmas deu ao bebê, que agora é o filho adotivo deles e tem como guardião o vampiro Silas, afinal ao chegar ao cemitério ele era um "ninguém". E é no cemitério e na companhia de fantasmas que Nobody cresce e é instruído. Ele não aprende apenas a falar e escrever, mas também a se tornar como um deles. Os fantasmas são antigos, já que o cemitério está abandonado e é mais considerado um parque do que um lugar para enterrar os mortos.

A história é bastante envolvente e divertida. Aqui você acompanha todo o desenvolvimento de Bod (apelido de NoBODy) e sua relação com diferentes fantasmas. Ele também interage bastante com Silas, seu guardião vampiro que se ausenta com frequência para lidar com assuntos misteriosos. Apesar de ser bastante intimidador, Silas não é como o clichê de vampiros que conhecemos. Ele cuida de Bod e se preocupa com seu bem-estar. É ele quem vai atrás de comida e roupas para o menino e também o responsável por sua educação.

No desenrolar da história Bod conhece outras pessoas e fantasmas. Ele está protegido enquanto estiver dentro dos limites do cemitério, o que faz com que ele tenha muita curiosidade sobre o que existe além desses limites. Aos poucos ele vai tendo contato com pessoas de fora, chegando até a fazer amizade com uma menina que estava visitando o cemitério junto de seus pais. É divertido imaginar como seria uma vida assim, sendo criado por fantasmas em um cemitério sem nunca ter conhecido o medo por essas coisas como todos nós. Talvez esse seja o grande charme da obra, pois você se coloca no lugar de Bod e pensa como seria assustador ou não as experiências que ele vive.

Tive a sorte de encontrar os dois volumes da série com um belo desconto na Amazon.com.br. Como já faz um tempo que venho acompanhando as obras de P. Craig Russell, eu não tive como não dar uma olhada nessa adaptação. Sem contar que os dois volumes são extremamente bonitos, com um bom acabamento e com folhas de altíssima qualidade. 

Para qualquer fã de Neil Gaiman e P. Craig Russell, "The Graveyard Book" é com certeza uma excelente adição a sua coleção. Seja pela arte ou pelo roteiro, você vai se divertir lendo e acompanhando a vida de Nobody Owens que, apesar de ter um inicio trágico, acaba sendo bastante divertida e exploradora

.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Mangá - Green Blood

Green Blood é, talvez, uma das melhores adaptações do final da era "bang-bang" dos Estados Unidos. Com um enrelo muito similar ao filme "Gangues de Nova York", onde o conflito entre gangues de imigrantes e criminosos lutavam para dominar a cidade, Green Blood se passa no mesmo lugar e narra bem a época e o conflito desses grupos.




O primeiro volume foi lançado na Comic Con Experience em 2014, e por sorte eu estava lá para adquirir minha cópia! Confesso que fui levado a comprar pela capa e pelo tema, já que eu não havia ouvido falar da série antes de ver a primeira edição no evento. Eu ainda não conhecia nenhum mangá que se passava nessa época, então arrisquei ao comprar e não me arrependi!

A história se passa em 1865 e gira em torno de dois irmãos, Luke e Brad Burns, tentando sobreviver em Nova York. Luke é o irmão mais novo e também é correto e honesto. Ele trabalha todos os dias para prover o sustento dele e de seu irmão e também para cumprir uma promessa que eles fizeram: comprar um terreno e viver honestamente em algum canto do país, longe da cidade. 

Porém, Luke não sabe do segredo de Brad, que engana seu irmão mais novo diariamente fingindo que está procurando emprego e se faz de preguiçoso e desleixado. Mas na verdade ele não precisa de emprego, afinal, ele é o principal matador de aluguel da gangue Grave Digger! Apelidado de "Ceifador", ou Grim Reaper no original, Brad segue as ordens da gangue para eliminar todo e qualquer empecilho que atrapalhe suas operações, agindo com maestria e frieza. Sua habilidade com a pistola e sua velocidade são excepcionais, o que faz com que todos tenham medo dele.Foi assim que a fama do "Ceifador da Grave Digger" surgiu. E com ela a inveja de outros membros da gangue, como por exemplo o filho arrogante do líder, Kip, talvez o primeiro vilão da série.


No decorrer da trama nós passamos a conhecer mais sobre o passado dos irmãos e de alguns membros de gangues importantes. Brad apenas está nesse ramo para que ele consiga informações o suficiente para ir atrás de seu pai, quem ele culpa por estar nessa situação e por ter abandonado sua família. Porém seu pai não é um Zé-Ninguém, mas sim um dos fundadores da Grave Digger e um criminoso procurado por todo o país! Enquanto isso, ele protege seu irmão mais novo indiretamente e tentando esconder sua verdadeira face. Luke já é contra as gangues e faz de tudo para não se envolver com elas, mas alguns eventos fazem com que ele veja como é a verdadeira realidade e a relação das gangues com as pessoas ao seu redor, botando sua bondade e vida em risco.


O que mais chama a atenção em Green Blood não é apenas a trama ou o ambiente, mas sim os traços de Masasumi Kakizaki que são extremamente detalhados e muito estilizados. Além de manter bastante realismo em seu desenho, Kakizaki não economiza em termos de sangue e violência, o que eram muito comuns na época. Bandidos armados assaltando pessoas em becos, conflitos entre facções de bandidos a qualquer momento, brigas de salão e até mesmo a guerra contra os índios norte-americanos. Toda essa violência ajuda a dar um drama na série que faz com que você se envolva com os personagens, além de simpatizar com Luke e sua justiça benevolente, ou os reais motivos de Brad e sua sede de vingança.

Talvez um dos poucos pontos negativos que tenho para a série é o fato de ser bem curta. São apenas
cinco volumes que você lê e se interessa mais e mais pela história, que é cheia de reviravoltas e momentos de tensão. Mas infelizmente tudo acaba no quinto volume que finaliza muitissimo bem a história e não deixa pontos sem nó.

Definitivamente uma série que vale a pena conhecer. Com certeza vou atrás de mais obras de Kakizaki pois seu traço e sua narrativa são impecáveis. Sei que ele também escreveu o mangá de terror Hideout lançado pela Panini no Brasil, mas este eu deixo para outro post :)




sábado, 4 de julho de 2015

Mangá - Zetman Vol 1

Recém lançado no Brasil pela JBC, Zetman é, para mim, uma das melhores obras de Masakazu Katsura (se não a melhor), assim como o lançamento que eu mais aguardava. Em formato pequeno, mas com mais de 250 páginas, a série contará com 20 volumes.


Tive contato com as obras de Masakazu Katsura pela primeira vez com Video Girl Ai, mangá lançado na primeira leva de estreia dos mangás no Brasil, depois de Samurai X e Sakura Card Captors. Na época eu não manjava muito de mangás e animes, sendo fã de séries que passavam apenas na tv, como Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco. Porém quando editoras começaram a lançar diversos títulos por aqui, eu fui atrás de todos. Video Girl Ai era bem diferente do que eu estava acostumado.


Com o tempo, fui pesquisando mais sobre o autor e conhecendo suas obras. Nos eventos de anime, eu sempre ia atrás de mangás em japonês dos meus autores favoritos, e nessas eu acabei conhecendo Zetman. Na verdade era um tankobon que compilava vários One-shots de Katsura, mas Zetman foi usado como obra de destaque.


Mesmo sem entender japonês direito, eu folheava o mangá impressionado com tamanha dedicação aos detalhes e traço fino do mangaká, que me chamou muito a atenção por causa do realismo. Claro, a forma com que Katsura gostava de mostrar o corpo feminino (exageradamente) ajudou o jovem-eu a gostar mais de suas obras, porém em Zetman o foco aqui era outro.

Logo pela capa pode-se notar uma certa semelhança com um heroi famoso da DC. Katsura nunca escondeu o fato de que é fã de quadrinhos e que adora Batman, então Zetman pode ser considerado seu tributo ao homem-morcego. Porém as semelhanças podem ser resumidas à sua aparência e sua sede de justiça.


No primeiro volume lançado recentemente no Brasil, temos o inicio da saga de Jin, um garoto de rua que vive com seu avô e é bem treinado na arte de se virar sozinho, ser gentil e ao mesmo tempo defender aqueles que

precisam de ajuda. São 12 capítulos contando o passado do protagonista, tendo como introdução belíssimas páginas coloridas e de alta qualidade mostrando Zetman encurralado por um homem de sobretudo branco, antes de a série recapitular 13 anos antes o seu passado.

Durante os capítulos é notável que a arte de Katsura evoluiu muito desde que comecei a ler suas obras em Video Girl Ai. O traço é mais fino e reto, porém mais detalhista e sombrio. O tema não é mais colegiais e problemas amorosos, mas sim uma sociedade podre e experimentos genéticos em seres humanos. Aqui é mostrado o passado de Jin e sua relação com seu avô e tutor, enquanto uma série de mortes acontecem aleatóriamente na cidade onde ele vive em que pessoas estão sendo cortadas em pedaços sem nenhum suspeito em vista.


Jin precisa de dinheiro, mesmo sem saber o que fazer com isso, e se oferece para ajudar estranhos em troca de grana. Em uma de suas empreitadas ele conhece a jovem stripper Sakura que o ajuda quando seu avô está com problemas. No decorrer da história, Jin é obrigado a aprender a lidar com seus sentimentos e como se portar em uma sociedade civilizada, já que ele é um menino de rua que nunca foi criado em um ambiente familiar. Os problemas começam quando o tal do assassino em série aparece e cruza com Jin e seu avô.


Além das habilidades incríveis no desenho, Katsura consegue fazer uma história que comove ao mesmo tempo que envolve o leitor com a narrativa. Ao final do primeiro volume, as coisas acabam relativamente bem, mas sempre com uma consequência dramática. E foi exatamente esse toque mais dramático que fez com que Zetman se tornasse uma leitura obrigatória. Estamos saturados de mangás fofinhos e "kawai-desu". Zetman é genial exatamente por trazer realismo e uma atmosfera mais sombria, botando as séries atuais no chinelo.


A obra foi lançada em Junho e o segundo volume já está agendado para sair em breve! A JBC já divulgou a capa do segundo volume e estou aguardando ansiosamente para continuar a acpmpanhar essa obra prima!

Quem quiser conhecer antes de comprar, pode ler o preview do mangá aqui: LINK